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Léa Fagundes, do projeto UCA (Um computador por aluno) em Porto Alegre, e a professora Roseli de Deus Lopes, da USP, que também está no UCA, falaram hoje das experiências da aplicação dos laptops nas escolas. Os resultados são sempre impressionantes.

"Em SP, escolhemos uma escola que tem investimento federal, estadual, municipal, as crianças tem merenda, uniforme, e mesmo assim o rendimento não era bom. Levamos então a tecnologia para sala de aula para tentar responder por que isso acontece, qual é a solução", explicou Roseli Lopes. Segundo ela, a mudança de atitude foi enorme.

"Precisávamos de 30 alunos, apareceram outros 70 no sábado, que não tinham o que fazer e quiseram ir para a escola, para ajudar no projeto. Mesmo alunos de outras séries, que não eram o foco, quiseram participar."

Lopes fala em tecnofagia, se apropriando de uma idéia do Mario de Andrade. No Brasil, as crianças se apropriaram da tecnologia do OLPC (One Laptop Per Child) e transformaram totalmente a experiência. "As crianças começaram a desenvolver interesse por criar roteiros, por conta dos filmes e fotos que faziam. Não só observar, mas se tornar protagonista, criador."

Léa fez uma ótima apresentação, dizendo que é preciso modificar o pensamento dos pais, dos professores, e mudar todo o modelo educacional, linear, para um modelo livre, onde as crianças sejam também protagonistas.

"Estamos numa era cibernética, um espaço que se comunica em diferentes direções", diz, enquanto mostrava uma imagem do artista Escher, para explicar o que diz (essa acima).

"Temos uma educação que reprime, não uma educação que liberta. Como podemos querer uma democracia se esse modelo não ajuda? Pesquisas mostram que a criança, quando nasce, tem apenas o ritmo biológico. Mas a medida em que cresce vai precisando obedecer regras, porque um adulto diz o que pode e não pode. Ela aceita as regras não porque compreende, mas pelo poder da força. Então os cidadãos obedecem por medo da punição, não por se colocar na posição do outro. Essa tecnologia pela primeira vez coloca a oportunidade de autonomia, a liberdade como elemento da educação. Jogar os laptops para escola é também buscar novos modelos de uso. O professor precisa reaprender".

Para ela, a comunidade do softawre livre desenvolveu um sistema de colaboração ideal, onde cada programador, seja de uma empresa grande ou pequena, tem o mesmo status. E onde quem não sabe pode perguntar, sabendo que receberá ajuda. E seria esse o modelo de educação que as escolas precisam. 

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