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Cláudio Prado, do Ministério da Cultura, esteve no debate sobre Futuros Digitais. Uma transcrição livre do que ele disse está aí embaixo, e aqui você faz download da fala dele.

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“A era industrial foi construída sobre a tipografia e a queima de combustíveis fósseis. Essas duas rotas possibilitaram a sociedade de consumo. O sec 21 será a soma da internet P2P com a energia de hidrogênio – duas formas de não depender mais de uma energia provida centralmente”.

O P2P não pode ser só visto pelo prisma das empresas, pela volúpia do lucro. Olhar como ilegalidade é uma miopia. Isso é democratizar acesso. Os modelos de negócio é que precisam ser revistos. No mundo digital as minorias estão muito vivas. A teoria da Cauda Longa é interessante, porque vem do mundo do consumo para o mundo digital. Observa as diversidades como nicho de mercado. No mundo digital não faz sentido um livro esgotado. Eu defendo um decreto-lei que coloque em domínio público – nem sei se é possível – o livro esgotado de uma editora que não vai mais imprimi-lo. O conhecimento está enterrado, no túmulo do copyright.

O futuro digital existe por causa de dois grandes furos: a internet fura o sistema, não tem dono, passa a existir dentro de uma realidade capitalista sem dono. Isso é um vacilo dos governos que não regularam e as corporações que não perceberam. E o Sl, que fez a mesma coisa. Essas duas idéias obedecem a princípios de uma revolução ética – não pertencer a ninguém, ser livre. Essa revolução está invadindo o

Barak Obama tem mais dinheiro do que a Hilary Clinton na campanha. No quesito quem fatura mais, esse cara, um negro, nascido no Haiti, crescido na Indonésia, é candidato ao governo dos EUA com mais dinheiro que o clã Clinton. Ele fez P2P. O discurso dele acessível para todos, pela internet. É igual o Radiohead.

A lan house é outro capítulo. A maior epidemia do país. A lan house é a grande epidemia – não é a dengue. E é letal. É um espaço público, e é o lugar onde a gente devia trabalhar para transformar em ponto de cultura, porque eles já tem a sustentabilidade garantida, de um jeito ou de outro. Tem um lado interessante: é o antro da perdição, o pessoal acessa sexo, que problema. Proibir o acesso ao sexo é que gera maníacos. Como vamos garantir a moralidade do mundo se o pessoal acessa tudo? É a falta de acesso que gerou isso que temos aí.

Fiz uma reflexão sobre games e jogos. Conheço um moleque, trabalha comigo, tudo o que ele sabe vem de jogos. Quem joga na favela joga um videogame pirata. Em japonês ou inglês, e ele não entende nada. Nem as dicas por escrito, nem oralmente, nem tem vivência cultural do acontecimento do jogo. A dificuldade dele é muito maior. Ele começou a me mostrar, e perguntei qual a maior dificuldade que ele encontrou.

Ele disse que tinha que pegar uma semente, plantar a árvore, voltar para o futuro, subir na árvore e pular o muro. Uma semana, cinco horas por dia nisso, até matar a charada. Qual é o professor que consegue engajar um moleque – não precisa ser da favela – a buscar uma resposta com esse engajamento? Isso faz pensar o papel do professor, qual é o professor que precisamos. Não é mais o cara que sabe contra o cara que não sabe, porque tudo está no Google.

O fundamental é discutir com a sociedade. Todo mundo puxar essas discussões. O SL já tem um modelo de licença que já transformou tudo. Ele é o território onde esta discussão tem que ser levada. A discussão política é isso."

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